Ni hao, Shanghai! (Oi, Xangai!)

Vista do hotel Pudong Shangri-la, em Xangai, China

Depois de um dia de 48 horas, cheguei à China. Digo “um dia de 48 horas” porque numa viagem de avião da América do Norte para a Ásia não há noite. Você começa como se estivesse voltando no tempo, por exemplo, se em Nova York eram 5 da tarde, em São Francisco eram 2h, no Havaí eram 11h da manhã… até que você chega no Japão e são 6h da manhã, só que do dia seguinte!!!! Não tem noite. Eles “forçam” uma noite dentro do avião – fechando as janelas, apagando todas as luzes – mas o fato é que a qualquer abertura mínima da cortina, vem toda aquela luz de fora.

O vôo foi ótimo e ao sobrevoar Xangai dá pra ver a quantidade de plantações. É tudo muito verde e “organizado”, impressão que se confirmaria logo depois. Mas já chego a essa parte em 1 minutinho.

Primeiro vou falar da hospitalidade na Ásia. Em comparação com outros continentes, aqui na Ásia é impressionante o tratamento que os estrangeiros recebem. É de prioridade total. No aeroporto já tinha alguém me esperando dentro do desembarque, antes de passar pela imigração. Eles nos levam por uma entrada reservada a autoridades e oficiais, e você não fica na fila esperando pra carimbar o passaporte. Isso tudo por causa da FIFA. Quando estive em Bangkok, na Tailândia, trabalhando no Mundial Sub-19 (2004) foi a mesma coisa. Acho que isso tem a ver com a hierarquia a que os asiáticos estão submetidos diariamente. Em várias culturas, todos não são iguais perante a lei e todo mundo aceita e entende. Sei lá. Só sei que na Europa isso não acontece. Sempre que chego para competições, a pessoa que me busca no aeroporto sempre está depois da imigração, e tenho que enfrentar fila como todo mundo.

Mas aqui é diferente. Os chineses estão felizes da vida por nos receberem. Fazem questão de carregar a minha bolsa, sempre me dão uma garrafinha de água, se levantam cada vez que eu passo… É impressionante!

Estou hospedada numa área nova de Xangai, chamada Pudong. Pelo que me falaram, o lugar era praticamente um pântano ou uma favela até 10-15 anos atrás. Mas aí, com o desenvolvimento do país, a cidade não tinha mais para onde crescer e os empresários começaram a investir nesta região. Hoje o lugar é tão moderno quanto Nova York. A arquitetura dos prédios é lindíssima, nas mais variadas formas geométricas. As ruas são superlargas, limpas e verdes. Não se vê coisas feias. Se é que existem, estão escondidas atrás dos pinheiros e florzinhas dos acostamentos.

Talvez a verdadeira Xangai seja o oposto. Talvez eu esteja no paraíso. Provavelmente. Não é possível que uma cidade milenar consiga ser tão organizada.

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