Hoje foi minha primeira tarde de folga. Digo “tarde†porque é impossÃvel tirar um dia inteiro de folga. Mas hoje deu pra conhecer um pouco mais de Wuhan. Nos últimos 2 dias trabalhei das 9h da manhã até à s 2h e 4h da manhã respectivamente. O mais engraçado era chegar do estádio à 1h da manhã e pensar “vou dar uma passadinha rápida no escritório só pra mandar um relatório pro meu chefe†e ao abrir a porta, todo mundo ainda estava lá, como se fossem 5h da tarde.

Tanto trabalho tem uma explicação: começou a Copa. A abertura foi em Xangai no dia 10, e aqui em Wuhan, só ontem. Temos dois jogos por dia, e a estréia foi com o Brasil. Brasil 5, Nova Zelândia 0. Nunca vi a seleção feminina jogar tão bem.
Na verdade, esta foi a primeira vez que vi do campo a seleção mesmo jogar. Até agora eu só tinha trabalhado em Mundiais Sub-19 e Sub-20, e sempre achei que o Brasil deixava um pouco a desejar. Tinha jogadoras boas, mas faltava uma integração do time.
Ontem foi um show. Como a Marta estava muito marcada no inÃcio, outras jogadoras brilharam. Adorei a Daniela e a Cristiane. A Cristiane, aliás, eu conheci na Tailândia em 2004, quando traduzi pra ela um convite que um time da Suécia estava fazendo pra que ela fosse jogar no paÃs. O Brasil tinha acabado de perder o jogo pelo 3º lugar no campeonato, e a equipe estava sentada no estádio assistindo a cerimônia de premiação, e a novidade acabou trazendo alguns sorrisos…
Mas o que me tirou o sono nos últimos dias foram os preparativos para o trabalho da imprensa. Uns 400, dos 1600 jornalistas credenciados, solicitaram a cobertura aqui em Wuhan. Mas a Tribuna de Imprensa tem menos de 200 lugares, e eu só tinha 100 entradas para a Zona Mista (saÃda das jogadoras) e 100 para a entrevista coletiva com os técnicos. Resultado: tive que fazer uma seleção de quem cobriria o quê.
Isso é horrÃvel. Como eu sou jornalista, sei que não é justo permitir que uns trabalhem com todos os direitos e outros não. A preferência é sempre para jornalistas dos paÃses que estão em campo. Mas a China estava jogando, e 85-90% dos jornalistas aqui são chineses. O que fazer????????
É claro que ouvimos várias reclamações. Mas no final, como 20% dos jornalistas esperados não apareceram, pude acomodar todo mundo na tribuna e ainda dividir os repórteres de acordo com o que eles queriam: coletiva ou zona mista. Geralmente não dá pra fazer os dois porque eles acontecem ao mesmo tempo. E como mesmo depois das 100 entradas ainda tinha lugar sobrando, colocamos pra dentro todo mundo da lista de espera.
E no final, graças a Deus, tudo deu certo. Meu chefe veio de Xangai pra ver o nosso trabalho aqui em Wuhan e disse que adorou. O presidente da FIFA também estava no estádio, e só ouvimos elogios.
Hoje, finalmente, respirei aliviada.
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