Jornalismo no terceiro milênio: a cobertura à distância do desabamento no rio Mississippi

Eu estou exausta. Trabalhei esta semana muuuuito mais do que o normal. O motivo: a ponte que caiu em Mineápolis. Pois é… estou a horas de distância do local da tragédia, mas aqui nos Estados Unidos o caso está sendo uma repercussão muito grande. Imagino que comparável ao que o acidente com o avião da Tam significou para os brasileiros.

Ponte que caiu em Mineápolis - sobre o rio Mississippi

Desde quarta-feira, tenho assistido a CNN direto. Eles estão transmitindo ao vivo de Mineápolis, juntamente com entradas do estúdio em Atlanta com análises de especialistas sobre o que provocou o desabamento da ponte. Assisti a todas as coletivas. Sei de cor as estórias de várias famílias, acompanhei as buscas pela mãe de duas meninas, até que veio a notícia de que ela estava entre os mortos. Até aprendi detalhes sobre a construção de pontes. E no final, fiz a matéria daqui mesmo de Los Angeles.

É claro que nada substitui a ida do repórter ao local. Mas é incrível como a tecnologia está nos ajudando. Nas coletivas, eu me sentia como se estivesse lá, já que tinha todas as respostas cruas ali pra eu escolher o que mais interessaria para a minha matéria, tendo como ponto de vista o de brasileiros que nem sabem onde fica o Mississipi. Pra mim não bastava explicar o que aconteceu, mas também situar o telespectador e ver o que interessaria aos brasileiros. A única desvantagem é que eu não podia fazer perguntas… Mas em compensação, na mesma hora já podia mandar meu boletim. (Detalhe: a CNN vista no Brasil é a CNN International, e a programação é um pouco diferente).

O trabalho só foi possível porque o SBT tinha todas aquelas imagens que eu estava vendo na televisão. Então eu sabia exatamente sobre o que estava escrevendo e como a matéria ia ficar no final. Pela primeira vez, fechei VTs diferentes num mesmo dia para o SBT Brasil e mais tarde o Jornal do SBT, atualizando com novas informações. Isso ontem e hoje. Ontem foram mais audiotapes, já que tudo aconteceu em cima da hora.

Agora vocês devem estar pensando: “nossa, que quantidade de matérias de uma hora pra outra! Nunca vi você fazendo tantas matérias assim…” É, isso também tem uma explicação. A correspondente do SBT em Nova York, a Yula Rocha, está de férias. Geralmente, ela seria a responsável por matérias de abrangência nacional. Então, sou eu que estou cobrindo os Estados Unidos diretamente de Los Angeles. E, juntamente com o meu trabalho normal do dia-a-dia, tenho tanta coisa pra fazer que está sendo impossível dar conta de tudo.

Mas é sempre assim. Quanto mais coisas você tem pra fazer, mais aparecem. Tenho mais é que aproveitar!

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4 Respostas to “Jornalismo no terceiro milênio: a cobertura à distância do desabamento no rio Mississippi”

  1. bobmacjack says:

    Te vi no jornal de ontem! Muito boa a reportagem. Engraçado que como frequento este blog fica aquela sensação de estar vendo uma amiga na TV, hehe.

    Este acidente me fez refletir e temer: se isto aconteceu nos EUA, será que é seguro transitar pelas pontes e viadutos do Brasil, onde o descaso é incomparavelmente maior?

  2. Rick Dias says:

    Poxa, agora fiquei com inveja de quem tem acesso a SBT.
    Pena que nos aqui na California estamos tao pertinho e ao mesmo tao longe de poder ver suas materias na TV. Bom trabalho.
    Beijos do vizinho aqui na California.

  3. Renata says:

    Obrigada!!!!

    É, eu acredito que os riscos no Brasil devem ser os mesmos… Depois do desabamento, aqui todos os estados começaram a avaliar as condições das pontes, e como em média 3 em cada 10 precisam de reparos, os trabalhos vão começar em breve. E aí no Brasil, como está sendo a repercussão disso? O governo pelo menos tomou a atitude de investigar a situação das pontes?

    Beijinhos!

  4. Renata says:

    Obrigada, Rick!
    Beijinhos!

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