Quando recebi a confirmação de que entrevistaria o elenco de “O Lobisomen” fiquei super-feliz, mas decepcionada. Isso porque as chances eram grandes de eu não conseguir falar com os protagonistas – Benicio del Toro e Anthony Hopkins. E assim, a matéria perderia a força. Mas com um pouquinho de insistência, consegui garantir o Benicio del Toro. Tudo bem, eu perderia o Anthony Hopkins, mas pelo menos eu já tinha a matéria.
No dia combinado, cheguei ao local das entrevistas e logo comecei a gravar com o Benicio. Foi bem legal, ele parece ser bem gente boa, foi simpático, riu bastante… Depois, quando eu ia gravar com a Emily Blunt, a assessora de imprensa virou e me disse:

Benicio del Toro em "O Lobisomem"
_ Não, vá para o Anthony Hopkins agora.
O quê????? Anthony Hopkins????? Mas até 1 minuto atrás eu não gravaria com ele! Eu não me preparei!!!! Gravar com um Anthony Hopkins não é como gravar com uma Jennifer Aniston! É claro que não falei nada, mas isso tudo passou pela minha cabeça.
_ Claro, para aonde vou?
Pela primeira vez fiquei frente a frente com um dos maiores gênios do cinema sem ter preparado uma linha do que iria dizer. Ah, quer saber, vou chegar sem meu bloquinho de anotações e deixar a conversa rolar, fazer as próximas perguntas baseadas nas respostas que ele der, vou perguntar o que uma pessoa normal perguntaria a um ídolo. Afinal, só em falar com ele já estou no lucro.

Entrevista com Anthony Hopkins
Foi a primeira vez que fiz isso e me impressionei com o resultado. Assim que cheguei na sala, lá estava aquele senhor de cabelo e barba branca sentado na cadeira como se estivesse com a maior calma do mundo. Ele abriu um sorriso e me cumprimentou. Logo começou a falar que esteve no Brasil com o Bill Clinton, para uma palestra que ele fez numa univerdade em São Paulo. Senhor de fala mansa, bem diferente dos personagens que interpreta.
Fiquei impressionada com a modéstia dele. Todo mundo ali estava meio nervoso (uma jornalista russa que iria gravar com ele depois de mim estava até tremendo – é mole?), mas eu, por incrível que pareça – por não ter preparado nada como sempre faço – estava tranqüila.
E a entrevista foi ótima, foi como uma conversa. Às vezes o repórter está tão preocupado com as próximas perguntas que acaba não prestando atenção no que o entrevistado diz. No meu caso, a atenção foi fundamental pra perceber pra onde ele estava levando a conversa, já que eu não tinha um plano B.
Consequi um material bruto super-diferente do que geralmente consigo, e daria até pra fazer um VT só sobre ele. Duas respostas dele entraram na matéria que foi ao ar no SBT (geralmente só colocamos uma). No final do dia, me senti ainda mais confiante, e certa de que um bom material às vezes só depende de talento.

Entrevista com Benicio del Toro
Page optimized by WP Minify WordPress Plugin